Os desafios do recém-graduado em Enfermagem no mundo do trabalho

ARTÍCULO ORIGINAL

 

 

Os desafios do recém-graduado em Enfermagem no mundo do trabalho

 

Los retos del recién graduado en Enfermería en el mundo del trabajo

 

The challenges of newly-graduated in Nursing in the world of work

 

 

Luís Paulo Souza e SouzaI; Weslla Sinara Soares SilvaII; Écila Campos MotaIII; Jansen Maxwell de Freitas SantanaIV; Leila das Graças Siqueira SantosV; Carla Silvana de Oliveira SilvaVI; Dulce Aparecida BarbosaVI

I Universidade Federal de Minas Gerais (EE/UFMG), Minas Gerais, Brasil.
II Faculdade de Saúde e Desenvolvimento Humano Santo Agostinho de Montes Claros (FASA), Minas Gerais, Brasil.
III Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros (FIP-Moc), Minas Gerais, Brasil.
IV Universidad Americana, Assunção, Paraguai.
V Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Minas Gerais, Brasil.
VI U
niversidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, Brasil.

 

 


RESUMO

O estudo objetivou compreender como enfermeiros recém-graduados vivenciam seu primeiro emprego. Trata-se de pesquisa qualitativa, realizada com seis enfermeiros recém-graduados, em Montes Claros, Minas Gerais - Brasil. Utilizou-se entrevista para coleta dos dados, que foram gravadas e transcritas. Os dados foram trabalhados por meio da análise de conteúdo. O projeto foi submetido à apreciação e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, parecer número 01797/11. Quanto à caracterização dos entrevistados, os sujeitos identificados pela busca ativa na instituição de saúde foram graduados em duas diferentes instituições de Montes Claros. O ano de término da graduação dos pesquisados foi, na maioria, em 2009, totalizando 66,8 % (n=04). Observa-se que o período entre a conclusão do curso e o primeiro emprego não ultrapassou um (01) ano. Ao analisar e interpretar os dados da pesquisa, fez-se a identificação dos temas mais incidentes nos discursos que permitiu a identificação de categorias que evidenciaram os desafios enfrentados, os fatores que facilitaram as entrevistadas na sua transição e a percepção de sua formação na graduação com a realidade encontrada nas instituições de saúde. Essas categorias receberam as seguintes denominações: “Os desafios da liderança e gestão”; “Competência e habilidade técnica”; “Facilidades na transição para o mundo do trabalho”; “Formação versus realidade do profissional”. O primeiro emprego representou situação de estresse e medo, sendo pontos facilitadores a formação acadêmica, realização de estágios extracurriculares e apoio dos membros da equipe. Como dificultadores, notou-se pouca idade e inexperiência, dissonância entre a teoria da graduação e a prática profissional. O primeiro emprego foi marcado por dificuldades, mas pôde ser momento para superação dos limites decorrentes da formação profissional.

Palavras chave: enfermagem; prática profissional; mercado de trabalho; educação em enfermagem.


RESUMEN

Introducción: el estudio pretende entender cómo los enfermeros graduados encuentran su primer empleo.
Métodos: investigación cualitativa con seis enfermeras diplomadas en Montes Claros, Minas Gerais-Brasil. Las entrevistas se utilizaron para la recolección de datos, y fueron grabadas y transcritas. Los datos fueron procesados a través de análisis de contenido. El proyecto fue presentado y aprobado por el Comité de ética de la investigación, número de opinión 0179711. En cuanto a la caracterización de los encuestados, temas identificados por la búsqueda activa en instituciones de salud, fueron clasificados en dos instituciones diferentes de Montes Claros.
Resultados: el ranking de encuestados fue, en su mayor parte, a fines del año 2009, 66,8 % (n=04). Se observa que el período entre la conclusión del curso y el primer trabajo no pasaba de un año. Mediante el análisis y la interpretación de los datos de la investigación y la identificación de los temas más incidentes en los discursos de los entrevistados, se identificacaron categorías que muestran los desafíos que enfrentaron; y los factores que facilitaron su transición, la percepción de su educación durante la Licenciatura y la realidad que se encontraron en las instituciones de salud.
Conclusiones:
en el primer trabajo hubo una situación de estrés y miedo, siendo éstos puntos facilitadores de la educación, la formación y apoyo extracurriculares, llevado a cabo por los miembros del equipo. Notamos la juventud e inexperiencia de los entrevistados, la disonancia entre la teoría de la Licenciatura y la práctica profesional. El primer trabajo estuvo marcado por dificultades, pero podría ser el momento de superar los límites resultantes desde la formación profesional.

Palabras clave: enfermería; práctica profesional; mercado de trabajo; educación en enfermería.


ABSTRACT

The study aimed to understand how nurses graduates find their first job. This is qualitative research conducted with six nurses graduates, in Montes Claros, Minas Gerais-Brazil. Interview was used for data collection, which were taped and transcribed. The data were processed through content analysis. The project was submitted to and approved by the Research Ethics Committee, opinion number 0179711. Regarding the characterization of respondents, subjects identified by active search in health institutions were graded into two different institutions of Montes Claros. End of year ranking of surveyed was, for the most part, in 2009, a total of 66.8 % (n=04). It is observed that the period between the conclusion of the course and the first job did not exceed one (01) year. By analyzing and interpreting the research data, the identification of themes more incidents in the speeches that allowed the identification of categories that showed the challenges faced, the factors that facilitated the interviewed on his transition and the perception of his education at the graduate with the reality encountered in the health institutions. These categories received the following designations: "the challenges of leadership and management"; "Competence and technical ability"; "Facilities in transition to the world of work"; "Training versus reality of professional". The first job was stressful situation and fear being points education facilitators, conducting extracurricular training and support team members. How to process, we noticed young age and inexperience, the dissonance between the undergraduate theory and professional practice. The first job was marked by difficulties, but it might be time to overcome the limits resulting from vocational training.

Key words: nursing; professional practice; labour market; education in nursing.


 

 

INTRODUÇÃO

O primeiro emprego é um passo desafiador que acompanha o profissional nos primeiros meses de exercício da profissão. A necessidade de aprender, de ser apoiado, aceito e respeitado pela equipe são fatores muito presentes na adaptação dos profissionais ao primeiro emprego. 1

A experiência do primeiro emprego ou a mudança de posição no trabalho podem ser avaliadas como um desafio ou consideradas uma ameaça, pois surgem novas demandas de atitudes e capacidades. A maneira como a pessoa irá encarar esta situação, como uma ameaça ou como um desafio, terá importantes repercussões nas estratégias que irá selecionar para enfrentar a situação.2

Para o enfermeiro recém-graduado, a insegurança e receio diante das inúmeras dificuldades é um desafio que se inicia com o processo admissional e continua com a sua adaptação ao serviço de saúde.3

O desafio pode ser compreendido como uma provocação para superar uma situação ou evento estressante. Envolve a possibilidade de transformar essa situação em crescimento, desenvolvimento ou conquista. Ao entrarem para o mundo do trabalho, os enfermeiros recém-graduados se deparam com situações estressantes decorrentes da falta de ligação entre o que aprendem no curso de graduação e o que encontram na prática nas instituições de saúde.2

A passagem da condição de estudante para a de profissional pode provocar estresse para os profissionais recém-graduados em enfermagem pelo fato de enfrentarem certos conflitos, que podem ser descritos como uma síndrome denominada “choque da realidade”. Este choque ocorre quando o recém-graduado não consegue colocar seus conhecimentos obtidos na graduação em sua prática profissional cotidiana. Ressalta-se, ainda, que o cargo de enfermeiro é geralmente designado pelas instituições de saúde para os recém-graduados, que consiste em uma responsabilidade de assumir uma equipe de enfermagem.3

Assumir a liderança de uma equipe é um dos maiores desafios enfrentados pelos recém-graduados. O mercado de trabalho da atualidade espera um enfermeiro com qualidades diferenciadas, que saiba agir, tomar decisões e usar a criatividade para solucionar problemas, e que saiba ser líder, estabelecendo uma boa comunicação com a equipe.4

A inserção na equipe como profissional é uma meta do recém-graduado em enfermagem a ser alcançada, enfrentando o desconhecido e familiarizando com as novas realidades. Diante de tal situação, os recém-graduados se sentem inseguros e pouco preparados para enfrentar essa realidade, pois grande parte deles relata não possuir o domínio e habilidades necessários.2

Desta forma, pode-se então partir para o pressuposto desta pesquisa, que o início das atividades de um profissional da enfermagem pode ser marcado por muitas dificuldades, como os preconceitos relacionados à falta de experiência, pouca idade, falta de liderança, deficiência em habilidades técnicas e falta de apoio e estrutura da instituição empregadora.5 Com isso, tornam geradores de ansiedade, mas ao mesmo tempo essa situação estimula os recém-graduados a buscarem novos conhecimentos técnico-científicos e a desenvolverem um bom trabalho como gestores, buscando seu espaço, respeito, superação e servindo como fatores motivacionais para a busca da afirmação profissional. Elegendo assim o seguinte problema de estudo: Como o enfermeiro recém-graduado vivencia o seu primeiro emprego?

Assim, este artigo teve como objetivo compreender como os enfermeiros recém-graduados vivenciam seu primeiro emprego. Justificado pela importância do tema, esta pesquisa torna-se relevante na medida em que contribui para a reflexão sobre a transição da academia para o trabalho direcionado aos recém-graduados em enfermagem.

 

MÉTODOS

Trata-se de estudo qualitativo, do tipo descritivo, uma vez que se buscou entender as interpretações do fenômeno primeiro emprego e a atribuição de significados, processos da pesquisa qualitativa.6

A pesquisa foi realizada em um Hospital Filantrópico da cidade de Montes Claros, ao norte de Minas Gerais - Brasil, que oferece à população atendimento nos níveis secundário e terciário. Os participantes foram selecionados a partir dos seguintes critérios de inclusão: terem experienciado a situação do primeiro emprego como enfermeiros recentemente; atuarem na Instituição de Saúde como seu primeiro emprego; serem graduados no período de 2008 a 2011; e aceitarem participar do estudo.

A coleta de dados foi realizada em novembro de 2011, em duas etapas. Na primeira, foi aplicado um questionário estruturado, contendo informações como sexo; ano de graduação; idade; período entre a conclusão do curso e o primeiro emprego e instituição de formação. Na segunda parte, os dados foram coletados por meio de entrevista, com as seguintes questões norteadoras: “Conte pra mim como foi sua formação durante a graduação”, “Fale-me sobre suas experiências após a inserção no mercado de trabalho”. A coleta sessou após a saturação dos dados, quando os dados da pesquisa refletiram a totalidade das múltiplas dimensões do objeto deste estudo e se tornaram repetitivas, totalizando-se seis profissionais entrevistados.7

As entrevistas foram gravadas e em seguida, transcritas, o que possibilitou o registro fidedigno de todas as informações fornecidas pelos entrevistados. Os dados foram trabalhados por meio da análise de conteúdo, a qual significa agrupar elementos, ideias ou expressões em torno de um conceito. A partir daí, seguiu-se os seguintes passos no processo de análise: leitura e releitura das entrevistas; codificação das expressões e frases relacionadas aos desafios da prática profissional; agrupamento dos códigos semelhantes que levaram à elaboração de categorias que abrangem os diferentes desafios que enfermeiros recém-graduados enfrentam em sua inserção no mundo do trabalho.6

A fim de preservar o anonimato, as falas dos participantes foram identificadas no estudo com a letra E de Enfermeiro, seguido de números arábicos (1, 2, 3, 4, 5, 6) na ordem sequencial das entrevistas. O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa das Faculdades Unidas do Norte de Minas, por meio do parecer número 01797/11, assim como pelo Hospital onde trabalhava os enfermeiros pesquisados.

 

RESULTADOS

A tabela 1 mostra os dados de identificação dos participantes do estudo.

Os sujeitos identificados pela busca ativa na instituição de saúde foram graduados em duas diferentes instituições de Montes Claros. Observa-se que o término da graduação dos pesquisados foi, na maioria, em 2009, totalizando 66,8 % (n=04). Observa-se que o período entre a conclusão do curso e o primeiro emprego não ultrapassou um (01) ano.

Ao analisar e interpretar os dados da pesquisa, fez-se a identificação dos temas mais incidentes nos discursos que permitiu a identificação de categorias, que receberam as seguintes denominações: “Os desafios da liderança e gestão”; “Competência e habilidade técnica”; “Facilidades na transição para o mundo do trabalho”; “Formação versus realidade do profissional”.

Os desafios da liderança e gestão

Observou-se que assumir a liderança da equipe de enfermagem constituiu um desafio para as entrevistadas, como se observa nas falas a seguir:

Na minha época quando eu formei em 2009, eu não sabia qual era o meu papel, só descobri qual era meu papel de enfermeira dentro da instituição. Então os desafios são as dificuldades do novo, é o medo mesmo do novo que é normal, hoje eu sei que é normal (E4).

Primeiro eu formei muito nova, e tem uma certa resistência da equipe que você vai trabalhar, aí uma enfermeira novinha, que não sabe nada, já vem assumir um serviço (E3).

Na prática como enfermeira, a gente encontra diversas situações, procedimentos, alguns quesitos que a gente precisaria ter aprofundado mais na graduação. Com esse aprofundamento mais na parte de administração tem melhorado muito, mas ainda fica muito superficial (E2).

A gente tem que aprender a trabalhar, tem que aprender a ser gestor. Hoje enfermeiro é muito gestor, a gente não vê a gestão na graduação de forma a te trazer segurança (E3).

Uma das enfermeiras relatou outro ponto, que é a interação entre os membros da equipe, como notado na fala que se segue:

Eu já conhecia a equipe, não foi tão difícil. Nesse sentido, foi uma coisa que rapidamente eu consegui contornar (E3).

Ressalta-se, ainda, que a liderança pode ser aprendida, principalmente, a partir de experiências vivenciadas no cotidiano, como ressaltado:

A liderança mesmo é outro mundo que eu não conhecia, você tem que ter aquele cuidado no que responder pro funcionário; até que ponto você vai poder cobrar dele. Surge aquele medo, aquela insegurança: “será que a equipe está achando que estou pegando pesado demais?” Até que ponto que eu tenho que folgar um pouquinho? É que você fica um pouquinho assustada, pois você tem que conquistar aquela equipe e não deixar que você seja refém daquela equipe (E1).

A insegurança decorrente da dificuldade gerencial se expressa no cotidiano do trabalho em equipe, o que resulta em incerteza para assumir as inúmeras responsabilidades:

A principal dificuldade e desafio é em função da demanda de trabalho da parte de gestão, administrativa, a gente não ter tanto tempo para dispensar para assistência, porque são inúmeras tarefas que o enfermeiro desempenha, principalmente num hospital que trabalha com Acreditação (E2).


Competência e habilidade técnica

O desafio em superar dificuldades passa a fazer parte do cotidiano de um recém-graduado em enfermagem, e mostrar competência e habilidade técnica é um deles. As participantes do estudo consideram que a habilidade em desenvolver procedimentos técnicos é supervalorizada e, às vezes, confundida com a capacidade profissional, o que pode ser observado na fala a seguir:

A maior dificuldade foi a questão prática, ter competência de fazer algum procedimento [...]. Uma coisa que a gente faz muito aqui nos pacientes mais graves é punção de jugular. Eu nunca tinha visto antes. E sonda enteral, que aqui só o enfermeiro passa, durante a graduação eu passei uma (E5).

Outro ponto enfatizado pelas participantes foi o desenvolvimento das habilidades após inserção no setor de atuação, sendo moldadas pela Instituição de Saúde, como referem as falas a seguir:

A gente na verdade é reformada pela instituição que a gente trabalha, você chega na unidade, no setor, na instituição, tem que aprender a rotina do hospital, aprender a metodologia que o hospital trabalha, muitas vezes aprender a trabalhar em um setor que a gente não viu nos estágios. Por exemplo, eu, não tive nenhuma base na faculdade, eu não sabia que existia (E3).

A área que eu atuo hoje é muito especifica, que é a área de controle de infecção, então eu acho que fica aquém do que deveria ter, principalmente na parte de estágios, na parte de prática a gente acaba conhecendo no dia a dia no trabalho mesmo (E6).

Algumas entrevistadas relataram não ter dificuldades em habilidades técnicas por já terem atuado na instituição anteriormente como técnicas de enfermagem, podendo ser percebido nas falas:

Aqui eu não tive essa dificuldade, porque eu já tinha experiência como técnica e o pessoal já conhecia o meu trabalho (E1).

Eu já conhecia a equipe porque eu era técnica aqui, não foi tão difícil (E3).


Facilidades na transição para o mundo do trabalho

As entrevistadas referiram algumas situações que facilitaram o enfrentamento ao chegarem à prática como profissionais, as quais decorriam principalmente do bom embasamento teórico recebido no curso de graduação:

A graduação me ajudou foi na parte teórica. Eu acho que prepara a gente sim, porque acaba que essa parte da prática deixa a desejar, mas muita coisa a gente aprende quando vai trabalhar mesmo. A faculdade da um embasamento teórico pra gente (E5).

Aparece como facilitador, também, o fato de o primeiro emprego ocorrer na instituição na qual o enfermeiro já teve uma experiência, seja como aluno, como estagiário ou técnico de enfermagem, como observado nas falas seguintes:

O fato de ser estagiária no setor, eu estava no lugar certo na hora certa (E3).

A minha experiência como técnica de enfermagem por treze anos, aí eu fiquei muito tranquila frente à equipe, porque quando eles me procuravam eu tinha aquela experiência na técnica, no fazer, eu fiquei bem tranquila (E1).

Os fatores que facilitaram, eu levo em consideração a prática profissional que eu já tinha, como técnica de enfermagem num setor complexo, que é o Centro de Tratamento Intensivo (E2).

Por eu ter feito estágio antes, ter ficado dois anos em estágios extracurricular na mesma área e ter assumido na mesma área de atuação, então não teve tanta dificuldade (E6).

O que facilitou foi que eu já trabalhava na instituição, trabalhava na área administrativa, eu tive a oportunidade de me conhecerem como acadêmica, então eles me conheceram também como enfermeira, então isso foi o que possibilitou abrir as portas e que eu entrasse na instituição (E4).

Verificou-se que a equipe de trabalho aparece como apoio nas questões práticas do relacionamento com as pessoas atendidas:

A equipe, tanto na parte da assistência quando a gerência foi o que mais me ajudou, eu fui para uma equipe que era bem experiente e já trabalhava todo mundo unido, então com eles que eu aprendi muito (E5).


Formação versus realidade do profissional

Verificou-se que a realidade dos recém-graduados em enfermagem do mundo do trabalho é diferente da teoria. Os modelos de assistência utilizados na maioria das instituições divergem com a orientação teórica recebida na graduação, como observado a seguir:

A minha percepção é que a formação precisa ainda aprofundar mais, o estágio curricular ainda precisa ser mais direcionado pro fazer do enfermeiro, porque, às vezes, fica na questão da prática só e o acadêmico não vivência de forma aprofundada as questões que realmente o enfermeiro deveria estar inserido (E2).

Por unanimidade, as entrevistadas atribuíram esta dissonância com certa desilusão com a prática de enfermagem ou com a desvalorização do ideal acadêmico, levando-as a sentirem desafiadas a procurar novas perspectivas de trabalho:

A gente forma na faculdade e a instituição nos reforma, ela que nos faz ser enfermeiro. A enfermeira que eu sou hoje, a instituição que fez, não foi a graduação, a graduação foi a ponte para eu estar aqui (E4).

Você tem uma expectativa, você aprende determinadas coisas na faculdade, outras não ou menos, quando você chega na prática e não é bem aquilo que você vê, você tem que aprender a trabalhar (E3).

 

DISCUSSÃO

Confirmando os achados do presente estudo, em relação à caracterização dos entrevistados, pesquisa realizada com egressos da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo sobre a inserção no mercado de trabalho também encontrou maioria do sexo feminino, com média de idade entre 21 e 47 anos, e em relação ao processo de entrada no mercado de trabalho, a maior parte dos pesquisados levou em média três meses para se inserir no campo de trabalho.5

O campo de trabalho em saúde é altamente complexo e dinâmico, o que faz com que os profissionais desta área, ao iniciarem suas atividades, vivenciem diferentes aspectos em sua prática cotidiana. A transição da graduação para o trabalho é percebida pelos enfermeiros como um momento desafiador, de muitas descobertas, frustrações, alegrias e realizações.3

Quanto às dificuldades encontradas no processo de liderança e gestão, notou-se que envolveram superar o preconceito de terem pouca experiência e pouca idade e obter credibilidade da equipe na mudança de papel. Corroborando com a pesquisa, estudo realizado com 15 enfermeiros que concluíram a graduação em 2006, na Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, apontou que muitos são os desafios encontrados pelos enfermeiros recém-formados para o desenvolvimento do exercício da liderança, entre eles, foram salientados a aceitação por parte da equipe, a dificuldade de relacionamento interpessoal, a escassez de recursos e os fatores relacionados à inexperiência.8

Como observado nas falas, a formação não ofereceu às entrevistadas o preparo suficiente, ou melhor, não abordou toda a complexidade que envolve, especialmente, a gerência de pessoas e processos. As entrevistadas mencionam a presença da temática liderança nas discussões da graduação, no entanto, apresentam insatisfações relacionadas ao pouco tempo de estágio na disciplina de administração, a qual possibilitaria maior aproximação e experiência prática com a liderança da equipe de enfermagem. A falta de preparo para lidar com a complexidade dos aspectos políticos de diferentes âmbitos revela a interferência de fatores externos na prática profissional e da dificuldade em administrar essas questões, que vão além da habilidade técnica.8

Um ponto facilitador encontrado por uma das enfermeiras entrevistadas no primeiro emprego foi a interação entre os membros da equipe. Mesmo a entrevistada relatando que a amizade entre os membros da equipe possibilitou um melhor relacionamento no ambiente de trabalho, ressalta que foi preciso “contornar” algumas condutas como uma estratégia utilizada para encarar a insegurança do primeiro emprego.

Além da insegurança dos enfermeiros recém-formados, que pode atrapalhar no relacionamento com a equipe, a resistência na aceitação da sua liderança, principalmente pelos técnicos e auxiliares de enfermagem, dificulta desenvolvimento das atividades. Os enfermeiros devem encarar essa nova realidade com coragem e desempenhar mais tarefas, pois os líderes que desempenham tarefas diversificadas delegam mais autoridade, controlam menos, apoiam mais e se relacionam melhor com a equipe, gerando grupos mais eficientes.8-9

Em uma das falas da E1, em que se ressalta que a liderança pode ser aprendida, principalmente, a partir de experiências vivenciadas no cotidiano, reforça-se a ideia de que o enfermeiro na instituição hospitalar, geralmente, está sem referenciais sobre liderança, desta forma acaba utilizando sua maneira própria de coordenar a equipe de trabalho, muitas vezes considerando o ambiente, a circunstância e o papel ativo do liderado nesse processo.10-12

Um líder eficaz precisa estar preparado tanto para receber apoio quanto críticas, deve despertar confiança e credibilidade, demonstrando coerência nos seus serviços, ideias e ações. A falta de preparo para assumir papel de gestores, normalmente, se dá pelo fato de não aprofundarem essas questões na formação acadêmica.2

Pelas falas, fica evidenciado um desequilíbrio entre a complexidade das atividades profissionais e o preparo que a entrevistada teve para tais. Muitas vezes, o resultado dessa situação são sentimentos de frustração que interferiram na conquista de seus papéis de líderes da equipe e desempenho de todas as atividades inerentes à sua posição.11, 13

Ressalta-se que os trechos da primeira sessão “Os desafios da liderança e gestão” instigam à reflexão acerca da formação do profissional enfermeiro e evidencia que parte da experiência como liderança é adquirida na prática profissional. Há referência da dificuldade do enfermeiro desenvolver a habilidade de liderar por não saber como agir em determinadas situações, acreditando que, se tivessem sido preparado, saberia como agir escolhendo a melhor forma de acordo com a situação.14

No presente estudo, as falas evidenciaram que a habilidade em desenvolver procedimentos técnicos é supervalorizada e, às vezes, confundida com a capacidade profissional. A palavra competência assume, nos dias atuais, posição de destaque, uma vez que faz parte do repertório de temas amplamente divulgados no mundo do trabalho como: profissionalização, postura crítica, conhecimento atualizado, aprimoramento profissional, entre outros, exigindo uma análise mais aprofundada nos seus significados, senão corre-se o risco de entendê-los com o senso comum perdendo-se o conteúdo da análise clara e sistemática.15

Os desafios relacionados à competência e a habilidade técnica envolveram tanto a especificidade do cuidado em áreas de especialidades, quanto competências genéricas da prática cotidiana do enfermeiro que deveriam ter sido adquiridas durante a formação acadêmica. Além disso, um grande desafio também pode ser evidenciado na formação generalista do enfermeiro. É frequente um enfermeiro recém-graduado ir trabalhar em áreas de especialidade sem possuir nenhuma habilidade técnica. Formar enfermeiros generalistas e imediatamente após essa formação colocá-las em áreas superespecializadas constitui uma prática dos serviços de saúde, o que tem trazido conflitos para estes profissionais e certos riscos aos usuários.2, 16

O fato de já terem atuado como Técnicas de Enfermagem na mesma instituição em que atualmente é enfermeira foi um fator positivo diante das dificuldades vivenciadas, uma vez que conheciam as técnicas, rotinas e os profissionais que lá atuavam, reduzindo o estresse do novo emprego, o medo do desconhecido, a insegurança, facilitando a inserção profissional. A insegurança de um recém-graduado no seu primeiro emprego para realizar determinadas técnicas e procedimentos pode ser percebida pela ansiedade e angústia, com isso, muitos enfermeiros buscam apoio nos colegas de trabalho ou nos técnicos de enfermagem da equipe com mais experiência para superar essas limitações. 3

Para uma boa transição para o mundo do trabalho, o bom embasamento teórico recebido no curso de graduação, o fato de o primeiro emprego ocorrer na instituição na qual o enfermeiro já teve uma experiência, e o apoio da equipe foram ressaltados pelas enfermeiras.

O acesso à boa informação durante o processo de formação na graduação leva ao crescimento profissional, podendo gerar maior manutenção da empregabilidade.4, 17

As atividades de estágio são de suma importância para a formação profissional e por isso devem ser realizadas da maneira mais organizada, sistematizada e efetiva possível, uma vez que o estágio é um processo pedagógico de formação profissional que tenta criar um elo entre a formação teórico-científica e a realidade do meio, fazendo com que o estudante estabeleça correlações entre o referencial teórico e as situações do cotidiano. É o momento de vincular a teoria à prática, possibilitando a aplicação de conceitos abstratos em situações concretas. Na formação de profissionais de enfermagem, deve ser estimulada a prática de estágios extracurriculares, sendo que através deste é desenvolvido o espírito crítico do estudante.17-18

Com as constantes mudanças sociais e tecnológicas, os profissionais necessitam investir no autodesenvolvimento desde a graduação. O mercado de trabalho da atualidade espera um profissional com qualidades diferenciadas, que saiba agir, que entenda a dinâmica do serviço onde for inserido, tome decisões e use a criatividade para solucionar problemas.4 Tal fato, positivamente, foi encontrado na prática das enfermeiras entrevistadas.

Além disso, outro ponto levantado foi cuidado de enfermagem. Embora não tivessem ainda habilidade para realizarem alguns procedimentos técnicos, as enfermeiras entendiam que a graduação estimulou e proporcionou o contato com as pessoas que cuidavam, o que deu segurança nas abordagens, quando iam realizar qualquer procedimento. As falas dos participantes deste estudo evidenciaram a forma como as instituições empregadoras facilitam e recebem os recém-graduados em enfermagem, contribuindo para uma boa transição e inserção no mundo do trabalho, além da postura institucional de estímulo ao desenvolvimento educativo, à liberdade do profissional atuar e ao apoio dos demais membros da equipe de enfermagem, o que corrobora com outros estudos.8

Verificou-se neste estudo que a realidade dos recém-graduados em enfermagem do mundo do trabalho é diferente da teoria. Pesquisadores reafirmam esta condição, evidenciando que os cursos de graduação, apesar de terem propostas de formação de enfermeiros críticos, voltados para atender os requerimentos da sociedade, ainda utilizam abordagens tradicionais centrados em modelos curativos.3

O recém-graduado, no processo de formação, passa a maior parte do tempo se preocupando em realizar a prática assistencial e praticando o cuidado de uma pessoa ou de um grupo, e não se envolve em questões de políticas institucionais. Pode-se destacar que além das diversas dificuldades em liderar uma equipe de enfermagem existe uma insatisfação relacionada à formação acadêmica em oferecer preparo adequado.3

As contribuições acadêmicas deveriam trazem consigo uma sensação de conforto para o profissional, dando-lhe subsídios para superar as situações novas. Assim, com uma efetiva integração teoria-prática os enfermeiros buscam dar o seu melhor no atendimento de enfermagem.8

São fontes desencadeadoras de preocupação para o enfermeiro recém-formado os diferentes valores entre o mundo de trabalho e o mundo da escola. As dificuldades dos enfermeiros no início da carreira, em geral, estão mais relacionadas ao mercado de trabalho do que ao órgão formador devido às incongruências entre seus anseios e as propostas feitas pelo mercado de trabalho.19

Dessa forma, percebe-se que o descompasso entre o ensino acadêmico, as expectativas e realidades no campo do trabalho geram ansiedade no início da atividade profissional. A desaprovação dos recém-graduados da prática realizada nas instituições destaca a necessidade de repensar formação e construir estratégias de integração do acadêmico ao mundo do trabalho, diminuindo assim os sentimentos de frustrações e angustia do enfermeiro recém-graduado ao deparar com a realidade das instituições.19

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os achados deste estudo revelam como principais desafios a liderança da equipe, o gerenciamento e as habilidades técnico-políticas, além da competência e habilidade técnica para o desempenho de seu papel. As iniciantes na prática da enfermagem foram desafiadas a buscar formas de enfrentar esta transição. Ao mesmo tempo essas situações são superadas com a demonstração de competência e saber associados ao desenvolvimento da experiência prática. Assim, cada profissional constrói uma história, criando uma imagem, buscando o seu espaço e respeito.

O mundo do trabalho para os enfermeiros recém-graduados pode representar uma situação de estresse, como foi notado. Ao mesmo tempo em que estes ficam ansiosos para iniciar as atividades profissionais, sentem medo do desconhecido. Alguns fatores, como notado no estudo, podem atuar como facilitadores na transição da academia para a vida profissional, como a formação acadêmica com bom embasamento teórico, a realização de estágios extracurriculares, a postura institucional de estímulo ao desenvolvimento educativo e o apoio dos demais membros da equipe de enfermagem.

Pode-se constatar que a realidade do mundo do trabalho é diferente da graduação. Nesta perspectiva, destaca-se a necessidade de reformular a formação acadêmica, não só em relação à revisão de conteúdos, mas também de construir estratégias de integração dos estudantes ao mundo do trabalho, antecipando o que irá encontrar e como deve agir diante desta transição. É preciso pensar uma formação orientada para o trabalho que integre habilidades teóricas e práticas, atitudes e valores éticos, ao mesmo tempo em que contemple conhecimentos gerais e específicos.

Situações difíceis sempre surgem no desenvolvimento profissional, momentos nos quais serão necessários posicionamentos e tomadas de decisões que podem ser muito importantes para a vida de outras pessoas. O preparo da graduação é o início, pois o profissional deve estar em constante aprendizado, buscando o desenvolvimento da habilidade, dos conhecimentos, das atitudes e da experiência necessária na qualificação do enfermeiro. Assim, a transição para mundo do trabalho pode ser prazerosa, gratificante e instigante, estimulando o profissional a superar os desafios e os limites de sua formação profissional. Espera-se que este estudo possa ampliar reflexões para enfrentar esses desafios do primeiro emprego na enfermagem e que sejam traçadas novas estratégias de ensino e de prática.

Não houve conflitos de interesse na elaboração deste trabalho.

 

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Recibido:7 de enero de 2013.
Aprobado: 10 de febrero de 2015.

 

 

Luís Paulo Souza e Souza. Universidade Estadual de Montes Claros. Departamento de Enfermagem. Rua Córsega, número 26, Bloco 4, Apartamento 302, Ibituruna - CEP: 39401-391 - Montes Claros, Minas Gerais – Brasil. Telefone: (38) 9138-1405 E-mail: luis.pauloss@hotmail.com.

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